2014-01-14

AH...ESCREVO



 

Ah escrevo…

Uivando ao luar, escrevo, nas folhas do Imbondeiro

esventrando do ser, de caneta no bolso

os pontos paralelos, gruta para dentro

desmundo… fico vivendo no meu sopro

vida mais total, a chuva que incha.


 Vejo-me

uma lágrima rolando, nas folhas que escrevo

a faca não corta o fogo, ela é o fogo

nuvens de sedução, vagueio na imaginação

a voz nos búzios

o erro do erro.

Com que vozes somos procurados?

Com que ritmos de dor olhamos?


Um choque de um astro

reporia o manto, o escudo

as missangas mais coloridas

os corações e batuques em uníssimo

no cabelo o pente, reabre chagas

de realeza animal, terra vermelha a escaldar

terra linda, em cadência saudosa.


As crianças espantam-se

com a lua caída, no meio do tempo

movimento de pureza sem som…

Momentos que sonhamos…


As crianças criam os espaços

Onde nascem as árvores.

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