2014-01-20

MAJESTOSO PALÁCO


 
Em tempos um belo e majestoso palácio

palácio de injustiça, agora

selvática vegetação o envolve

por entre as ruínas, ossadas descarnadas

no quase telhado, bandeiras esfarrapadas.


Suaves brisas resvalam

ao longo dos pálidos muros

cintilando, cintilando sem cessar.

 
Ali estava ele, monarca do pensamento

com vozes de insuperável beleza

coisas malvadas, em vestes de luto

afluem as argúcias e sabedorias do rei

do antigo tempo sepultura.


Os viajantes deste vale

num desordenado cogitar

ao som de vozes discordantes

as ideias assumem carácter ousado

riem, já sem sorrir.


O rei está nu.

2014-01-14

AH...ESCREVO



 

Ah escrevo…

Uivando ao luar, escrevo, nas folhas do Imbondeiro

esventrando do ser, de caneta no bolso

os pontos paralelos, gruta para dentro

desmundo… fico vivendo no meu sopro

vida mais total, a chuva que incha.


 Vejo-me

uma lágrima rolando, nas folhas que escrevo

a faca não corta o fogo, ela é o fogo

nuvens de sedução, vagueio na imaginação

a voz nos búzios

o erro do erro.

Com que vozes somos procurados?

Com que ritmos de dor olhamos?


Um choque de um astro

reporia o manto, o escudo

as missangas mais coloridas

os corações e batuques em uníssimo

no cabelo o pente, reabre chagas

de realeza animal, terra vermelha a escaldar

terra linda, em cadência saudosa.


As crianças espantam-se

com a lua caída, no meio do tempo

movimento de pureza sem som…

Momentos que sonhamos…


As crianças criam os espaços

Onde nascem as árvores.