2013-12-08

AURORA POBRE



 

 
Elegância bárbara, brilha nas cicatrizes
 entre os meteoros, amargo, amargo, o mel
 negro da obra morras
 uma paisagem regressa ao ventre
 parto prematuro, minuto obscuro
memória perdida, um choro real
 meu frágil instante
ouve-se…
Princípio de esplendor da maçã
 castigadora ,castigada
suprema desobediência, a lua inteira
 metade halo branco
completa-a  comprida escuridão
 o pensamento perdido entalado
entre chips e razões efémeras
 uma nuvem toda negra
cobre a terra
 a morte sobe pelos dedos, gatilho apertado.
A chama irrompe
 incendeia o Deus esmagado
há brandura de sal, nos ditos
 espadas de prata, a mover águas
…arrepio…
Recolho-me ao silêncio criador
 solidão universal
o adjectivo da coisa, embrulha…desvela…
confusão dilatada
a constelação do Mundo, um buraco
 arquitectura de ar e ilusão
 o todo fica  morrendo no teu corpo
 funda fêmea
femêa invisível
 fiz-me  abertura, nas superfícies  centrífugas
busquei o escuro atrás das coisas
a sombra da minha face? a loucura e o mar
Aurora pobre, tingida de violência doméstica?
Pai e filho choram à vez
 sorrio um fio
 subtraí, Deus de Deus
 reduzi a humidade
 enchi os espaços de melodia
em estados de graça
 supliquei, suplico
pureza do mundo.
calmo e terno.

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