2012-05-08

IRONIA


Num reverso simulado
Cada escada dá um lado
Botão sem casa
Dissimula  orfandade
Mais a dor do dente cariado

Soletro um chá calmante
Sorvo as promessas gota a gota
Carapau sem espinhas
Deitado em grelha inox
Em factor de brasa quase cinzas

É , o poeta brinca
Com coisas sérias
Nunca se arrepende
Mesmo que sério
Ri de si e de alguns
 
Sabes que o verso
É o braço armado do poeta
Que a palavra é lágrima
Derramando no papel
Um livro de mil páginas

Sabes que existem
Leis não escritas
Nos confins da diáspora da alma
Onde o tumus realiza
Actos irascíveis
 
Sabes que a ironia
É carne viva da poesia
Posta em papel acetinado
Rasga as vísceras
fere e dói a vista