2011-04-14

RIO CAMBONGO /NGUNZA



Este trabalho é dedicado à querida SENHORA DONA MARIA ALICE-
O meu profundo agradecimento pelo que aprendi conhecendo te.És também a Mãe do KimdaMagna.



Em Angola é muito frequente a utilização de dois ou mais nomes para um rio, consoante os sectores dos seus percursos. O Cambongo/ Ngunza não foge a esta regra e é designado por Cambongo nos sectores médio e superior e Ngunza no seu sector litoral ( talvez por homenagem ao Soba do Ngunza Cabolo, nome que antecedeu o de Sumbe e Novo Redondo ) e perto da sua foz divide a cidade do Sumbe e os bairros É 15 e Chingo e anteriormente desaguava no bairro Frimar. Com ajuda das chuvas, e dada a área de planura tem tendência a tomar vários caudais e está agora entre o bairro das Salinas e as Pescarias da cidade do Sumbe.

O bairro das Salinas é maioritariamente habitada por pescadores dada a sua localização geográfica, (junto ao mar) .

O rio tem uma extensão aproximada de 197 kms desde a nascente até à foz. Se traçássemos uma linha recta entre a sua nascente e a sua foz obteríamos uma distância de cerca de 80 Kms. Este pormenor atesta a grande sinuosidade deste rio. Alguns dos seus afluentes são os rios , Uir, Tangaio, Sanjôa, Candonga-Cuvele, Luambimbe, Xissa e Bimbe.

O Cambongo nasce nos contrafortes da Montanha Marginal, com bacias afluentes em altitudes superiores a 2.000m, por cerca da latitude de 11º 39’ e da longitude de 14º46’, ficando o seu tronco principal encaixado numa fractura entre os maciços de Quimbumba (2 279m) a Norte e de Gonga (2 316m) a Sul, aberta em rochas do complexo gnáissico-migmatítico-granítico, elementos de uma parte do rebordo montanhoso que, ao longo de longitudes em torno de 14º 40’, ainda conta com Chiuale (2 016m) e Uassamba (2 083), ao Sul do rio Cuvo-Queve, Golungo (2 278m), Comongo (2 033m), e Namba (2 147m), este na margem direita da bacia do Cubal-Quicombo.



Desde as suas nascentes em maciços da Montanha Marginal , o rio desce pela escadaria de aplanações até ao mar, ao qual chega por um troço de vale encaixado em rochas sedimentares. Revela nos diversos sectores, não só ele, mas também a maioria dos seus afluentes, traçados impostos por estruturas tectónicas – fracturas e falhas, geralmente em redes ortogonais. Longos troços quase rectilíneos do Cambongo-Negunza são outros testemunhos dessas influências (Cretácico-Quaternário).

Nos calcários próximos da costa o rio Cambongo-Ngunza tem um percurso subterrâneo, por galerias e grutas de grandes dimensões, resurgindo pouco antes da pequena planície terminal. O facto está bem evidenciado nos dois ramos que formam um ângulo recto no local das Furnas (latitude e longitude de cerca de 11º 16’ e 13º 54’, respectivamente), encaixados na faixa de calcários gresosos e conquíferos, dolomias gresosas, arenitos e conglomerados do Albiano médio a superior. Aí o rio, logo a seguir ao tramo de E-W, tem uma imergência, com queda espectacular, passando a ter, no tramo S-N , um percurso subterrâneo de cerca de 600m, com enorme gruta e suas partes anexas, ornadas com estalactites e estalagmites. Não longe do seu vale são observáveis dolinas de vários tamanhos e superfícies lapiezadas. As condições climáticas revelam semi-aridez: a precipitação anual é inferior a 700mm, a evaporação é elevada, a cobertura vegetal é a de um mosaico de savanas, estepes e balcedos xerofíticos, com árvores dispersas ou sem elas.(1)


Fig.1- O rio Cambongo no Açude e antes de iniciar o percurso final.
Fig.2-Início do percurso a partir do Açude

Fig.3- Património a perder se. Peças da antiga central hidroeléctrica abandonadas e em degradação.

No Açude onde o rio sai do seu emparedamento e onde outrora existiu uma pequena central hidroeléctrica estende se serpenteando pela planície até à foz numa distância de cerca de 3 000 a 4 000 metros passando pela Fazenda Boa Aventurança que se dedica à produção intensiva de bananas.


Fig.4- Ao fundo a Fazenda Boa Aventurança pertença do Grupo Mundo Verde.

Outrora esta mesma fazenda produzia óleo de dendém baseada no extenso palmal que a circundava extendendo se até ao próprio açude e a cidade do Sumbe. Para além da produção de banana estão a ser produzidos o doce de banana e banana seca dirigida ao mercado interno.

Dentro da cidade e junto á ponte que liga o Chingo à cidade do Sumbe subsiste o costume da lavagem de roupa assim como a secagem de farinha para fabrico da fuba e extração de areia para construção civil.


 

Fig.5- Cidade do Sumbe. Lavadeiras no rio Cambongo/Ngunza

Entre a cidade do Sumbe e a foz do rio distam cerca de 800 metros onde se podem ver mais lavadeiras e pessoas a banharem se e na margem norte e junto à foz depósitos de lixo e na extensão até às Salinas alguns habitats de aves e um braço do rio que corre paralelo ao mar.

Fig.6- Margem do lado Norte. Vista ao fundo da cidade do Sumbe.

Fig.7- A foz do Cambongo/Ngunza.Foto obtida da margem Norte.


Fig.8- Braço do rio até ao Bairro das Salinas.



Nota: As fotografias expostas neste trabalho são de 2011 e foram obtidas com uma máquina digital Fujifilme SR Auto de 10.2 Mega Pixels.

(1)FINISTERRA XLI, 82, 2006, pp. 15-48-ILÍDIO DO AMARAL





2 comentários:

gata louceira disse...

Isto é que faz a gente ter saudades!!!

Fatima disse...

"A mãe da gente.....é um caso diferente
Muito mais que comovente, que não dá pra comparar
O que eu sei.....é que tudo que eu sou
Simplesmente é o resultado das coisas
Que mamãe me ensinou
Das coisas.....que mamãe me ensinou

Carne assada que se preza
Tem que ter aquela cor
Se não quer manda embora
Mas não faça hora com seu amor
Um bom dia, boa tarde
Com licença, por favor
Tudo isso é resultado das coisas
Que mamãe me ensinou..."


POstagem linda meu amigo.
Gostei de conhecer!
bjs.