Olhara e vira na facies branca, como um protesto contra a cor; repetia se esta cena espremendo se pelos anos de minha vida no bairro Lado Azul. Conhecera nela já várias cores de cabelo: usara ruivo fogo, em carrapito, fora loira de risco ao meio, uma vez até misturara castanho com madeixas azuis em corte assimétrico. Imobilizara se porém, nos últimos anos, no negro, cabelo pintado negro azeviche, escorrido e curto. Naquele dia Isma El notara nos olhos dela uma sôfrega vontade de desistência, não das coisas, mas dela própria.
Chamava se Kandida, dizia se dela, ter nascido numa colónia qualquer do nosso Mundo. Vezes sem conta, tentara Isma El abordar Kandida, vezes sem conta chocara com suas armaduras: um bunker herméticamente fechado a chumbo. Diziam ( o povo ), que ela estivera concentrada num campo, desses de refugiados, sózinha exposta aos apetites da facínora que supervisiona as " ajudas internacionais" em carne alheia.
Isma El sabedor destes revezes da vida, esmerava se nas considerações que tecia sobre a irredutível negatividade de Kandida e jogava lhe brilhos nos caminhos que ela pisava com fúria e alheamento. O olhar absorto dela, provocava lhe sempre a ânsia de a proteger e no interior dos seus olhos, lágrimas caiam rolando para dentro. Um homem não deve chorar, pensava ele, outros denegriam na: que ela é que se tinha oferecido por jóias e favores, dados a um amor que lhe surgira, sugador, partindo assim que esgotados os recursos financeiros. Ficara Kandida sózinha, pobre, e desacreditada de tudo e todos a nomeavam de puta.
Eram portanto várias as versões, e nesta indefinição, enigma reforçado no " diz que disse", Isma El não ligou, e agarrou se à ânsia de a proteger e petrificou se em estátua, na praça principal do bairro Lado Azul, no busto o nome Kandida gravado em sangue, nos pétreos lábios uma oferta, uma flor brotava para ser por ela colhida.

2 xaxuaxos:
Amo receber sua visita!!!!
Bjs.
Gostei.
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