2010-12-28

ESTE MOMENTO

eis que o espanto
se desfez
banalidade feliz
reflectida
entre reflexos
por entre
amontoado plástico
e os fios da erva
ainda por contar
é inútil olhar
os olhos do passado
escondidos atrás
espessas escuras
lentes
em aros circulares
ego patológico?
só existe
sempre
este momento

2010-12-11

... ERA ETERNO, DIZIA!



O que nos precedeu, terá bastado para salientar/alimentar apetites e para dizer a verdade, os corações puros são criações eminentes. Ama se lentamente mesmo perante o testemunho corrimento em sangue, nos desdobramentos das contrariedades, nas pétalas dos sorrisos mesmo que de esgar sejam.

No entanto este mundo não é tão fechado como se apresenta. Da maneira que a tua boca calada promete ilusões, amada boca… penso na minha vida e sem concluir. Tu sabes o que te dói, o que te salta à anca, o que te desce. São estes os prestígios que te reconheço. Por um lado é a consciência, por outro, a revolta, a tenaz esperança do coração humano sobressaindo…

Um dia perguntei te ( a despropósito) se acreditavas no feliz nascimento perante o corte umbilical , pois que quase todos choramos quando nascemos. Lembro… respondeste que eu, homem, não entenderia a profundidade do assunto pois não tinha como vivenciar uma posse de um cordão umbilical, não me respondeste… lembro.

Atira me então o anel que te cinje as ideias, com ele acorrentarei a morte, será talvez o método para não obstinarmos, a ver se o corpo, a ternura, a criação, a ação, a nobreza humana, retomam o seu lugar neste mundo frio.

O que toco, o que me resiste compreendo o bem. Não sei se esta vida tem um sentido que me ultrapassa, não sei… juro. Sei que há uma tentação nas formas do Absurdo, um veemente repúdio pela renúncia uma procura de esgotar tudo, um princípio de uma libertação sem a miopia do amante.

Um outro sabia… tinha a certeza… era eterno, dizia.