2010-10-23

Xambá

Xambá-Artefacto para transporte de galináceos

Naquele dia, mesmo

Que me olhaste nos olhos

Me escondi no xambá

Mas a lua me encontrou

Com a ponta dos teus dedos

O sol mastigando salivas

Chegou

Em nossas peles

Te sentiste

Me senti

Como fogueira ardendo

Em lugares diferentes.

Cócórócó disse,

Um outro galo, invejoso

Tás a ver?

2010-10-06

Quantas vezes...


Orgulho de Lua por trás de canas iluminadas-KimdaMagna

Quantas vezes, uma complexidade crescente tomou conta de mim, e de dentes cerrados, espamei me por dentro e por fora em cada desejo de partida. O destino sempre o mesmo.

Com efeito a partilha de sonhos fora um nada de inumeridades, e naquela totalidade escolhida, destacou se um surdo rugido só audível nas putativas horas de escuridão. Naquele ponto o cérebro encontra se surpreendido consigo e num esgar de desdém, dilui se num espasmo mais acima: era um nó umbilical preso na teia de Nós.

Tudo isto era afinal um começo, na placa giratória da biocultura, engano meu de ver e sentir as calosidades das mãos em afagos, prometimentos e juras ad eternas. Repito, engano meu, porque tudo acontecido como real, só eu não enxergara.

Nesta falta de acabamento definitivo vislumbro em mim o animal dotado de despropósito, ridículo herói, isso dito pela sepultura ornamentada de brilhos, no dia em que nos cruzamos.

Na visão do mundo que pesa sobre todos os vivos, a mulher, experimenta um gozo profundo e espasmódico, ao contrário das fêmeas antropóides, noutro lado, estados extraordinários precários assumem os supremos óptimos.

Ser humano louco-sensato, nos progressos da complexidade, por causa, com e apesar da desordem, do erro e da fantasia, risos e lágrimas na alcova perpétua das intimidades, cego tacteando aberturas.

Sagrada desordem…