2010-06-11

ARTISTA

Cidade do Sumbe-Angola. Já foi Ngunza e Novo Redondo.


Sim sou artista!!

Mas não como aquele
que nos arranha as entranhas num solo de guitarra
                                                                         nem a que sobre  tela transforma o pincel em varinha
                mágica                            tampouco a voz cantante que nos preenche os arquetipos
ou as modeladoras de forma em corpos esculturais.

Sim, sou artista... mas da vida!

Uso o óleo nas engrenagens que travam meu eu
aguarelo as ciladas do coração em cores pasteis
com o cinzel da liberdade, parto, rasgo a pedra da vertente social
musico de risos o parto da dor
origino-me origem, de querer sempre partir, de começar...
Faço poses e desenho-me nos sois e chuvas que me deslumbram
uso sempre a mesma moldura cosmos nas minhas obras
trago comigo  a borracha que apaga
a linha não desejada.

Com o diluente
diluo-me
 vento.

2010-06-06

OVO CÓSMICO


 Sinji Himeno
Fall-in-die-Hoffnung

O coração todavia não tomava parte alguma nesta inquietação,
curioso não?

Depois encolhi os ombros e fiz menção de rir 
esquecer também era possível
até ao dia  da violenta confusão, de um doloroso prazer
senti me bem nesta caminhada, o corpo acalmado
irrigado por um sangue doce, numa pose de leão
veio o cheiro da morte com cheiro de vida lá dentro.

Este o sinal da fortuna assumida.

Então adivinhei que ela sairia de casa, a seduziria
da forma mais barata e directa
que me viesse à cabeça, talvez uma metáfora aquática
tu qual noiva excitada, eram sete da tarde
o pesadelo a nascer cedo
as nossas vozes debaixo da terra, soaram estranhas.

Era a época das estações gigantescas, em resumo.

Na primeira fase oral canibalista,
pesei um argumento, pensei, um relato imaginário
uma lenda, uma lição de moral, matizando o fruto da concha
uma gota de esperma, qual orvalho caído do céu
no olho do ovo cósmico.