2010-04-28

LUA PÁLIDA


Noite de lua pálida, a dor de um fruto caído
esquálida
na coutada muito perigosa. Puta ! Grande puta… a vida!

Escolhe um nome para esse rio, a bala certeira matando este passado
só possuo sabedoria de bicho, pressinto mortes e sangues de coisas há muito vividas
formas gravadas no vazio.

Noite de lua pálida,
rolam lágrimas demoradas, visão de um riacho de sangue.
Certa vez…
Um arfar violência, prostrou-me junto aos pássaros espelhados
entre cavalos e potros, minha crina esvoaçando passos da vida
sementeira de pedras angulosas, sou em ti o pensamento
que foge, no acto presente, tudo nos indica, o funeral póstumo,  pronto!
Um ínvio caminho, riso até ás lágrimas, soluços em risos dementes
novidade surgindo, neste ser humano genérico, que ilumina
ficando sempre na sombra…
Lua pálida
Noite…

2010-04-17

POEMA ETNOPROSA

Candice


O corpo depositado com variados utensílios, passando pelos espólios dos panteões colecções gabinetes, sinto aqui a ausência de uma presença, cada um faz do seu muro, uma perda na água cristalina, de uma alegria que é um esgar/riso de alguma passividade, quer isso diga, se alguém teve que ser um simbolismo, quer, ser aquela boca se desenvolvendo para lá do bico TRANSLÚCIDO da ave de penas molhadas, mas que se o olho mágico da pedra, de noite escolhendo líquidos, mesmo que pedra seja pomes, tenho um azedume na sola dos meus pés, por isso coxeio ligeiramente, ás vezes há um domínio para lá do teu ser, aqui um fio brilhante e sedoso, diz-nos, sou novo, tu usada com as existências de algum modo que nos calam as bocas. Sou assim um equilíbrio basáltico em água mole, uma chuva ácida ardendo nos olhos do consentimento… Pecaste? Julgas-te um purgatório aflorando oásis de razões vâs, ah pois és metáfora, por vezes eufórica, consegues adormecer no teu próprio desejo, assim espero que consigas.

O espaço buraco aberto em mim, caverna profunda, feita com as palavras da tua despedida, o enxofre derrama por sobre meus olhos, o bem de não te ver partir, ficaria olhando cego o brilho que os interiores revelam, salivando as sedes dos jejuns, uma casa algures num sítio ermo, aguardo silenciosamente as notícias do mundo exterior ao meu calor.

Não sei quando, mas talvez, buscarei a tua morada no aconchego dos dedos pétreos, do conjunto que teima em circular no meu sangue, com metodologias não esperadas, guarda assim o peito na concha da maré, um certo rio parado.