2010-01-31

GESTO ADÂMICO

Mark Harrison


As despedidas olharam para trás
Tempo de transição
Quereria identificar e alcançar
A fonte, quinze mil milhões de anos para trás
Pelo meio uma gramatologia fantástica
Futuros verbais inexistentes
Os optativos, restam poucos
Dilaceração interna contínua
O gesto adâmico
Onde vai deixa marcas
Na rapariga das tranças
Na lama.

Está frio à minha porta, sabes?
Um tique taque vem da água e caminha
Nada detém os seus passos de chuva
O querer dizer
A impossibilidade do dizer.
Rosa breve sobre  a cama
Mão de areia procurando

Flor da alma.

2010-01-23

Afinal para que serve a guerra?

jason-felix

Mas afinal quantos inimigos havia?

Uma mão desconhecida me arrancara do caos.
Certezas absolutamente falíveis, são oferecidas
á custa do voto alheio, legitimado para abusar
nos todos outros,
metralhadoras espreitam os corpos.

As paredes afundam-se, um vermelho sobe e inunda.
Escuro: agora vi, em cada vertente, a felicidade
estropiada de nunca ser.

De pé e imóvel, no meu isolamento impotente
vejo
machados e canhões nas pontas das línguas
a Mãe erra pela floresta solitária.

Do meu corpo agudo um espinho sai,
primeiro vacilante, transformando a rude casca
além nas colinas cruzes em gente.

A asa azul da noite roça me levemente
um telhado de palha arde, a terra negra
todos alinhados em fileiras
fazem da chuva de balas
um coro musicado.

2010-01-17

PINCELANDO A PALAVRA SURREAL

Migue'li

A jovem entrou na loja de antiguidades
demorou se…
na saída - trazia reumático –
envelhecera… e foi feliz para sempre
até ao próximo quarto minguante
da sua luz...

O velho grupo compacto, olhou-a
remirando-a
mas acabaram por entrar no new one store
foram breves
na saída – traziam um ket chup brilho no olhar -
rejuvenesceram… e foram felizes para sempre
até ao próximo lar social
das suas vidas...


Existia uma criança, ainda , neste quadro
noutro engano
protege se do ataque dos lobos
não se dá conta das formigas trabalhadoras
- Água – conseguiu gemer.


Todo o quadro tem sua moldura
a mão treme, a boca trémula, todo trémulo
um Ser servil
cansado de olhar.


Esta a moldura.

P.s. Quadro surrealista