2009-12-21

...ou talvez eu exagere...


Se não tenho carácter, recorro a um método.
Repare, a pele de cabra a mim fornecida neste casaco, estava cheia de sarna.
Sabe que na minha aldeia, os lados das ruas entabulam diálogos.
Uma escolha ? Não, antes um deslizar independente.

Saiba que já conheci um coração puro, que se recusava à desconfiança.

No calor de um bom vinho aveludado, cor rubi, gosto de caminhar
naquelas ruas
esperando calmo pela invasão dos ortópteros
na esperança de um castigo
- a penitência salvará minha alma-
sem as folhas verdes e tenras de alimento.

Soa-lhe estranho o meu linguajar ?
Pois não se sinta só, já somos dois!

Estamos no âmago dos círculos e para aqui chegar, a vida, portanto os seus crimes
tornou-se mais compacta, obscura.
Ah já sabe isso?
Como posso dizer que estamos no âmago das coisas
apesar de sermos a extremidade do universo?
Das duas uma, ou acredita ou sonha a viagem com breves traços
contínuos deleites... ou talvez eu exagere.
O telefone toca! Vá lá, atenda, pode ser alguém participando o seu próprio suicídio
... que não queira estar sózinho.

2009-12-13

Copulado da vida



Entre o dentro e o fora, há uma fronteira, mesmo que imensa, frágil.

De quando em vez ousar uma carícia, morder textos filosóficos, limpa o organismo.
Se me distraio , o descalabro do síndroma diarréico, espreita nas palavras.

Amava uma e outra, distribuindo me criteriosamente pelas partes todas das duas
um homem fiel: descansava todos os sétimos dias minha caneta em paz.
Depois contava até três e fazia de conta mais uma vez, e graças ao histórico familiar, sei que não preciso me desesperar, falava esquisito durante alguns dias... acostumava me!
Assustador é a gente simplesmente se acostumar ao amor em campo de concentração.

Falo de vida! Prostituta que me pariu! Copulado da vida!
Vomitava minha boca asneiras, ao perceber qua a nova ilha em tudo copiava a original.

Estava tudo TÃO CERTO que ninguém estranhou.