2009-07-31

Vida roseada de negro

Aranhas poetizas, escolhem melodias...

Saio de mim e empurro o poema para a página do dia brilhante, uso a geometria para a medição.
Estou adiantada, sou o futuro forma delirante, entre lençois e machos esquisitos.
Em certas madrugadas de floras arcaicas, faunos degladiam se, as costas espalmadas no clarão do solo, subjugam me, as mãos descalças percorrem os olhos descendo pelo peito para originar o conhecimento. Escalas são restrições, camufláveis, mutiláveis, degradáveis mas não extinguíveis.
No dorso dos esgotos, a noite quer também molhar a boca, um suspiro prolongado silva o ar nesta intermitente dormência.

Um novo dia nasce na renda armadilhada da teia, a aranha poetiza , observa os trajectos das vítimas, uma suposta audácia de raça, a bestialidade mostra se no bruto corpo e a audibilidade das vozes primaveris é nula, as disfunções uterinam se.

Eis, aqui me têm, em vísceras texto, uma poeira doce depois feridas. Habito por sistema, a corrosão infatigável mudança. Ainda havemos de falar um dia com calma sobre os mortos que brincam e os pânicos metálicos.

Por hora o sono rústico, coagulou no tempo, o espaço aperta nos a garganta muda.
No basalto da boca as pestilências escorrem o certo e o fingido, o peito infectado arde aquém das colinas.
Ser marinheiro nas águas transformadas, no recreio dos deuses a nau frígida, apanhada pelo silêncio, tropeça no espesso, devoramos portas de substância nevoeiro e cegamos de tanto ver e ganir.

Um dia um falo descalço, penetrará as palavras, cortadas à navalhada, com implosões de ira, surgiremos carnadura sábia nas mãos dos anjos sujos.

Entrarei na festa comigo, com os outros, unidos por parafusos vis, num mar invertido a terra a saber a nada.

2009-07-28

Sulcos




Ser um rosa
Em pétala
Em teus dedos
Segredos
Preso aos sulcos da tua pele
Bebendo o elixir
Em botão
Desabrochando
Na seiva dos lábios
Teus
Polinizas
As asas
Minhas
Afagam os sulcos
Oferecidos
Num vai e vem
Extasiado
Em epiderme suplicante
Quente
Calor humano
Nu

2009-07-22

Em vácuo de lata

tschorr_theworldwelivein

Noite alta, rios e cascatas ocupam me o espaço temporal.
Outros vendavais assolam uma outra parte de mim.
A alma? Ou a sensação dela?

Lembrei me com propósito, das vagens verdes, depois maduras
Elas conhecem a espera que cansa, a esperança fenecendo,
Silêncios sofridos.

É tão cómoda a situação dum legume em vácuo de lata,
Com abertura fácil.

Do amor do chão, amnésia radical, veio uma ciência alta,
Vestida de preto, elegante, na última visita, implacável[mente],
Levou me silenciosamente.

2009-07-15

Carne de Amor



Um pouso busca a boca cega,
há luz na tua carne,
palpitas palavras líquidas,
deleitosas,
salivando redondos e reentrâncias,
um gozo além das cordilheiras do sonho,
carne de amor, que escrevo,
mãos labareda te acendo e em lírio
embaixo, te espetalas,
te sugo, onde mulher,
o teu suco.
Tenta me de novo,
obriga me,
não tenho vergonha de sentir secrecções,
poro a poro,
adentro me em ti,
coxas abertas,
deixas me crescer,
dedo a dedo
inicio teu percurso.

2009-07-10

Dualidade Unidirecional

Paul Rumsey

Se acaso a habituação
psicológica,
que ainda não é o amor,
te perdurar,

dirás amo te!

No veio da dependência
criada,
Eu prenchido.
O outro apenas um apendice
das horas vagas que usas...


O corpo?... À terra retorna,
puro desenvolvimento mecânico
fabricial ocorrência.
Situo me nesta esquina
dobrada,
as Emoções
desordenadas vêm as chegadas,
partidas.


2009-07-03

ENSAIO /de ser) PRECIOSO

Katherine Blackwell


onde tomba a luz…
a poeira…
aí adormeço.

deito em mim
faço me despedida,
até ao próximo olhar,
bebo a vida
embriagado
equilíbrio trôpego
entre o voar e rastejar.

a fronteira do corpo
se desloca
palavra desnudada,
me torno
sou irrepetível.

nem nas estrelas e livros,
a busca.

no escutar
os ensinamentos do sangue,
mucos e membranas da origem
ensaio precioso
único da natureza.