2009-06-29

Graça de Amor

Mark Henson



A GRAÇA DE AMOR
EM FLOR
AROMA ESPALHA
FACES RUBOR
O ECO DEVOLVE TUDO
O MUNDO SORTUDO
GIRA
AMOR

A NUDEZ
MAIS BELA
FAISCA

CONVERSAMOS
PLACIDAMENTE
DA CABEÇA
AOS PÉS
NUS

A COR
PERDURA
DURA
O PÚBIS ACORDADO

2009-06-24

FENO




rolando no feno
reparei no teu peito
gemidos de coração bem feito
um som redondo enorme
os aromas em brisa, sentidos alerta
nosso abraço se alastra
mãos adentro,
nossos corpos são finos,
tu me adivinhas
arvore,
meus braços, desgalham se
sobre teu corpo manso
ao ar livre,
ar leve que dança,
Lírio aberto, eu danço manso,
dançamos,
manso
cheinhos de delírios.


2009-06-20

Fragmentos (ténues) de lascívia




...uma queda

se experimentada
em clitóris lascivo
permissivo
ora
o mundo
irreal
servido de avental
lesão cervical

banana em chão
escorregadio
pata de cão
no focinho de gata
que bravata!
senhores
são
os amores
de uma
barata
debaixo
da pata
da gata.


2009-06-14

Fluidos


As verdejantes palavras, chegam, esdrúxulas ou monossilábicas, vejo as, as mil e uma noites das arábias.
Os quatro pontos cardeais, anunciam retumbantes esclarecimentos.
Bailas nua nos brilhos do sol a norte. A sul o teu ardor insufla me calores. A este e oeste um sol que nasce e pôe se nos nossos colos.
Estamos neste ponto de ebulição, precisamente na boca da cratera de lava em redor prenuncia se uma explosiva erupção e nós mão na mão olhamos os olhos um do outro.
A condensação manifesta se em nossos corpos nos interiores húmidos, vapores e fumarolas, o normal de um vulcão.
O calor não me queima, é esse teu interior que me ferve, sísmico ao toque de teu corpo revelo o magma que te afagará.
Lá fora os ventos, levantam ondas copulando as falésias, sereias expostas ao sol assistem.
Cá dentro o calor derrete horizontes, estilhaça os medos há um veio que nos comunica com o centro, vamos e voltamos em ondas térmicas oscilatórias num tempo inexistente.
Resvalamos docemente um no outro numa actividade não extinta.
O vulcão extinto mora noutra ilha.

2009-06-01



meu sangue entende se
com esta voz poderosa
que me chama, sugere
instâncias
entre areias volantes
meu desejo caminha
trespassando a distância
minha vida então se espraia
na praia de um idílio imaginário
desenho te exacta, és este corpo
de cascatas ágeis que transponho.
com argila de luz
moldo te a cintura
neste árido jardim,
a minha sede é tanta,
tomo nos olhos
delicadamente
este momento,
quero o fundo em mim
guardado.