2009-02-22

"Pote de Ouro"

Neves e Sousa

explodindo em grutas, galgando penhascos dantescos, ao fim da tarde jornada, a mão sobre o fofo e verde musgo, no aço translúcido murado o corpo fazia se destino.
dizia… ao fim da tarde… o céu tinha tomado em mãos vergastas. castigos e paraísos desamarrados da argola prisão escritos no livro sabedoria - a única saída - tactear a palavra como caminho por entre a floriácia, era o adorno preferido.
lá atrás um Deus. agora um pote de Ouro.
casal de cisnes , afinal eram papel em quadro exposto, parecia haver uma ideia na parede sustendo comédias românticas sem horários e actores.

palco vazio, ainda havia luz de dia no colo da mãe sentada no baloiço cadeira , rainhas e ventos olham na, percebe se uma música desconhecida, um irreal que toca a pele.
nada é manso a não ser o vazio de tudo e todos. a mansidão escoa se pelas íngremes cóleras, rostos esfregados no chão tempo, palpita a multidão por entre o emparedado, dados lançados no jogo ambíguo, as caras depois de espanto, disfarçam medos.
em tons de verde água, braços confusos de azul celeste, as pálpebras semicerradas, que a luz urge por mim adentro são nossos os campos de terra, esventrados com lâmina de aço.


2009-02-14

Carta a Ximbueko



esta melancolia mansa na certeza de saber que a culpa é sempre minha na inutilidade das lágrimas, no encantamento das tardes mornas, desejar a calma do beijo longo, pois que as lágrimas correm para alimento fecundo da flor que germina em mim, assim como que uma tristeza que gera vida, um vago bem estar.
ter te aí , estar aqui , esta a certeza, que me fere cruelmente. deixo a minha boca entreaberta, nesta indolência do não movimento, resvalo no abandono, onírica, beijo te os cabelos , os lábios, os olhos, conservo por momentos o mundo em mim irreal e profundo, só a melancolia me é fiel.
ao voltar a mim ficaram me nos olhos os sinais, a história triste da impotência de contigo ser, nos pés moídos da caminhada as marcas do envenenamento das horas sem nome, o canto da tua carne em mim, teimo em viver debruçada sobre os sentidos.
são milhares as distâncias. o amor vence barreiras? como se transforma o silêncio em presença? como cheiro a distância do teu corpo? quando te penso, prolongo a humanidade na existência, a palavra sem voz, nem células, nem hormonas, nem genes, a mais informulável resposta simples, esconde-se.
um silêncio de amor, serás tu, a tecer em mim a luz dos sonhos.
este mundo é assim.
EP (The Estonia Girl)

2009-02-07

Carta a EP



...estou… estou nas sinuosidades, que te sustêm, os lábios desfolhando a pele néctar, arrepio febril, o silêncio também molhado, as rumorosas pálpebras batiam qual borboleta esvoaçando, por cima , por dentro da minha constelação no leito do horizonte, o calor em espumas acesas, derretia-nos!!! guiavas-me por caminhos (teus) interiores, topologia na orla dos dedos de luz, tremente polemicante nosso contacto… vagas, vagas, mais vagas: uma tempestade esfusiante de desaprender os caminhos!
o sussurro circundante do mar, as pátrias da palavra, as antiquíssimas verdades temos por companhia e vigia, pois o perigo do desmaio abismal espreita-nos predador.
íamos já a caminho de ser aves, as folhas marítimas em bouquê decoram-nos, eu qual cavaleiro de espada carne em riste, tu cavaleira em mim… contínua, semeando um germinar contínuo, o bico túrgido de teu seio, a língua da palavra roça-o, ao de leve, o gemido do assentimento me mostraste.
estar nesta imaginação habitada, bebendo-te como se a última gota fosses, as estrelas estáticas de espanto perante nossos corpos, papoulados prados destampam-se, devoram-nos as mãos na praia estremecida. fitando as madrugadas levamos connosco a liberdade para ser.

Ximbueko

2009-02-06

NORMA coquete -The Lady

She Sees Things Differently by ~STF-Wooly

Anoiteceu cedo,
cerrada a noite,era,
nos plenos do dia.

Homo ludens drogado,
uma Hybris comanda
o cavernoso som.

Pior só a pérfida sordidez…

Viagem perigosa e desgastante
olhar nos olhos de um SEM ABRIGO.
Certezas sucedem-se,
o esgar em todos agiganta-se
anjo doido, trincando a maçã
racionalização sem lado empírico...
Eu a um Vocês.

O AMBÍGUO mantinha-se silencioso
a NORMA coquete, resumia-se
a um suspiro.

2009-02-01

UMA QUESTÃO DE CLIMA

Where_I_end_and_you_begin_by_Stevi0d

Sim , amor, esperei por ti na porta dos patamares oblíquos, no acto da invenção recente, talvez já perto do fim.
No ladrilhado espaço das tuas promessas, esfarrapam-se desculpas, agora que no leito faquírico, uma arte visual, reflecte o tactear, lá onde as luzes não cumprem sua função: ILUMINAR.
O mundo no seu avesso ou centro, audível é o nada. Contrários se chegam a nós, como a razão em ponta de faca, na mão de uma sem intenção, à espera de um perdão qualquer, usamos o afago de esponja terrena, passando em nós o tempo, usámos os corpos sem sermos donos.
Um século depois , no nosso novo encontro, não nos reconhecemos. Com o tempo, as causas e coisas evaporam-se nas lágrimas vertidas, também nas gargalhadas estridentes ou na ânsia mais acumulativa e insidiosa.
Partindo do nada - pelo esquecimento – nossos fluidos recomeçam a jornada, tudo novo e brilhante nos é oferecido, reforçando a amnésica anterior situação. A carnuda voluptuosidade de teus lábios apaga os últimos vestígios e resquícios, emana uma roseada luz desta fricção, os corpos parecem ter perdido substância, leves se tornaram., e foram-se tendo por chão as nuvens.
Por inexplicável, ficou , as nuvens em chuva caíram, com ela nossos corpos, estatelados nos rios da vida em inúmeros deltas convertidos, por companhia ,crianças brincam nas margens arenosas.