2008-05-12

Saída de Emergência


Situaras-te numa nuvem de memórias
teu adeus foi o segredo da troca desigual
o fruto sumarento, polposo, da dependência.
Tecnicamente eficaz, fez-me desaparecer no reverso da medalha,
igualzinho a um balão em direcção ao seu estouro.
PUM!!!
Mesmo assim, uma partícula do desfragmentado eu,
aquela, essa mesmo, a identidade em bilhete numerável,
mantém-se umbilical, a ti madrasta sociedade.
Tua única certeza,
saberes onde estou, mas nunca quem sou ou serei.
Sou memória noutras nuvens,
daí a distância a separar-nos.

Um dia entrei , por acaso , na Catedral do Saber,
na sala de estudo polivalente, foi-me dado ver,
[bancos de dados, da fome, de memórias, de nuvens]
retratando a nossa imutável horizontalidade passiva.
Uma excelsa jovem figura, tatuada de infernos
e outras coisas voláteis e volúveis,
convidou,
tatuar-me nela.
Seria a minha última saída de emergência,
avisou-me.
Acreditam?