2008-04-28

A Idade de Quê?




As espátulas contraídas , não dum gesto forçado , sim , duma fome atroz ,
da míngua dum alimento espiritual.
Ao encerrares te no eu, tiras me o sustento.
Falo , desse teu RASTEJAR , sinuoso , enlameante , como um desejo putrefacto ,
a fazer História.
Numa cúpula de vidro rachado , racha abismal ,
sim ,
escutei lhe o som!

Miro me… vejo te… fantasiando doente mental ,
desculpas te na umbilical razão.
Uma beleza de consumo , como sabonetes brancos
em fabricial tapete rolante de produção elevada.
Solidão e silêncio , nadas e eternos , rodeiam
a hexagonal lábia. Três lados são invisíveis.
Cada vez maior , eu sou o quadro preso ,
numa estéril branca parede , falta me…
a janela para ver em ti , a sombra
projectada em mim.

2008-04-22

Suave, tão carne





Grifitico, pousei naquela tua angélica
formulação platónica: Uma Díade,
perversão/ sedução.
Sim eu sei, tu estás inocente,
é-te um gesto natural,
teu convite , sabes , o verde primaveril,
numa bola de fogo tardia,
sou te o vassalo poeta
da tua indiferente razão, de sentir, de amar…
eis nos
perante a “ grande Teoria”
tu aí , eu aqui.
Procurei te pela promessa feita
de me mostrares a fonte da minha inquietação,
a malha/rede de relações,
os vinculativos e objectivos centros de mim.
Obsessivamente permaneces
na minha boca,
um paraíso mortal
suave , tão carne,
perigosamente,
alheada…

2008-04-03

KIANDA


Ela sabe imaginar o absoluto silêncio da água.
Gotejam pérolas,
de seus lábios um desdém/amor, me fervem a pele
molhas os pés em mim, sinto me teu mar,
de vagas em calmaria, ardo em insondável…
…lenta…
descida aos infímos purgatórios, pelo carnudo palpitar,
tua pele é sofisticadamente tão junto.
-Vem !
Somos um, unidos
como coito canino, uma prática útil discernindo beleza,
na sua devida proporção, nos epítetos
fixamos graus de excelência.
-Vem te !!
Corre como cabelo livre ao vento, nas estradas de mil caminhos,
voa os teus pés pela delicadeza do desconhecido,
faz me saber teu,
mesmo sendo só e agora.


-Vem me !!!