2008-01-25

O que tiver de ser , à porta virá ter


Corri de magro
como um nica-nã-poisa,
era um cinco reis de gente,
co'a barriga pegada às costas,

como lapa à pedra,
mirei o indizível.

Ia dar me uma coisa...
pois , de cambulhão, as gentes,
a mim se chegaram,
descosendo na vida alheia.

Embarcar de calhau, foi
minha saída.

* Eh Blô!..



*Exclamação usada na vigia da baleia quando se avista o jacto de água que aqueles cetáceos expelem ao vir à superfície

2008-01-17

INFUNDE ME

in Rara Avis

Não há gelo que possa
esfriar,
o amor.
Cura me com um beijo.
Desperta me o sonolento inverno,
infunde me.

O êxtase.

Abre me o palácio de Vênus,
suave sonho és,
desejada e inatingível.
Ofereço me a ti,

em branco lírio.

2008-01-14

Fábrica Neurótica


Opaca , toda , é a informação, hoje uma impostação segura do aprendizado ontogenético , produto dum passado filogenético ( ops).
Por outras palavras , o ser humano concorda com algo se tem o capital genético.
A complexidade como esclarecimento?
Confusão?
Submissa a leis imutáveis, só mesmo os astros. Os fenómenos terrestres transmutam se.
Oh incautos , porque quereis cristalizar as ideias da comum vida ?
As feridas narcísicas de Copérnico teimam… continuam…
Alguém acreditou sendo hábil em matemática… equacionaria, determinadas as “trajectórias” do comportamento.
Mais uma ilusão.
Então e o tempo inicial arbitrário ?
A coexistência das partes constitui a existência do todo. Acreditas ?
Não ?
Tiro te o pão , não por ti produzido, não és parte do todo.
Convém não esquecer a volta do efeito sobre a causa.
Não queres saber da homeostase ?
Da ultra-estabilidade ?
Atenta pequeno mortal, um ínfimo desvio inicial, nos processos interpessoais, podem ampliar doenças mentais.
Neurótica será toda a fábrica que insista em produzir o modelo já não adaptado.

2008-01-09

Magros Ventos

...pau preto
luto na morte
concreto
abrigo da sorte
um rei
sete príncipes, um cavalo
a sela nas costas da vida
eu sei
quando estou, abalo
embalo argumentos na partida
embaraço os pensamentos
quarto crescente
semeio magros ventos
devaneio demente
minguante cheia lua de fujida
gravidez
lua mel
acidez...

2008-01-02

Mecânicos gestos


A incerteza das interpretações provam que são falsas.
Bom ano, bom natal, bom ano, que bocejo…
Cassete ou disco riscado, tão somente reflexo verbal, procurando esconder o lado tenebroso. Sim ,sim, repete te até à exaustão, as ocas e falidas palavrinhas. Olha para o céu, bate dez vezes no peito, benze te ou de cu para o ar, palmas da mão no chão., estás perdoado, podes apunhalar mais…
Viver assim numa espécie de eternidade obtusa, qual anjinho inocente, mas afinal a quem queres tu enganar? A mim ou a ti?
Somos um género humano dividido em duas espécies: os que moram nos ociosos jardins ; a outra subterrânea raça de proletários que por trabalharem na escuridão, ficam cegos, e rotineiramente produzem máquinas pesadas que não servem para nada.
Por vezes, tenho de me rir, senão enlouquecerei, com as vossas certas e repetidas certezas de datas e pareceres. Reconheço vossa capacidade de falar e o assobiar melodioso.

Existe um herói do tempo presente, do seu tronco magoado brotam sangue e palavras. Tem como troféu uma flor murcha, desfazendo se em pó.