2007-11-30

[ ... ]



…gastámos as palavras
quando diziamos : meu amor
era a coisa mais bela da terra
havia espaços de animais
debaixo dos olhos, os tubos em corpo
caminhos tubos líricos
turvos.
uma dureza aguda
uma bala justa, em cupido metalizado.
donde nascerá esta impotência?
da magnificiência galante?
do olho de cristal vidro?
Frágil. Quebrável. Rompível.
neve não, nem chove, o céu, não é.
foste? fiquei?
perdemo-nos
no porão
da indiferença…
Foto: Candice Degreve

2007-11-26

Inclonclusivo



uma membrana de tão transparente
e frágil estou que quase não me vejo,
sinto,
nem forças para choros.
no meio de dois lugares.
nenhures os horizontes.

No lado de cá domina o vermelho quente,
uivos fazem me ouvir
gritos de carnais prazeres
urros feridas abertas – sangue – fluindo dor

No lado de lá domina o azul glaciar aço,
um céu todo ele, escorpião
anjos vomitam , consumo, sáurias palavras…
dialécticas… dias
fragilizo me membrana mais

Desconheço as minhas pontas.
Agonizo nos meios.

2007-11-24

INTENTOS


Fazer nascer pelo ânus
depois de uma gestação enfeitiçada
a vida
até á concepção de um original plano
que nos reduzirá á pura animalesca
era assim o primeiro sono

intentos

no momento da despedida
que significa não voltar a pedir
naquele terreno baldio
a construção mostrava rachas
dos irregulares passos
olhava eu a legião de mutilados de espírito

melhor ver para tirar teimas

a múcua parindo filhos de gente
sol reclamando da transparência dos humanos
inócuos
nem sombras ou opacidades se oferecem
vazios
nem buscam nem são encontrados

2007-11-19

...sózinha a ser forte...


…era uma noite de lua muito cheia – voar - podemos quando o corpo está com a força de nenhuma comida por hábito que outra razão não há-
sentámo nos em círculo, cada um olhado, o lugar livre das palavras o ocupámos
a seguir à noite - não vinha dia - o vento podia chegar se sózinho
espanto nos nossos todos olhos - alguns partiram - buscando a nascente do vento
logo chegaram a um impossível, exaustos de nada ver-
essesoutros ensaiaram aquelas todas montanhas voar, mas a loucura não era ainda tanta-
era da fome ou de quê era
meu corpo mais leve que ar, desocupando se de encargos, num súbito parto vegetal
- em flor -
investindo se de amores – sem ilusão – sem esperança
abriu se em todas as imaginárias direcções
um buraco no ar, tomou me atacando o vazio,
instalei me no outro lado da noite
intransponível e sozinha-

2007-11-14

♪♪♪


Vamos trocar mais-
Beijos.


Processa-se uma ( a ) luz↑

Com…nosco no invisível
longínqua num ermo.fujida . A aurora sorri
daqui aos panorâmicos jardins
só um ténue roçar facial nos levaria
fechadura da procura, não ! não ? existe
nunca vimos a chave
abertura.
o céu brilha o céu está o céu é
o futuro da harmonia e o todo espasmo
mais o grande espaço vazio
sereia ,, acordes… como…

não audíveis!
sensíveis

2007-11-10

?ALQUIMIA?



Sonho
fazer nascer da pedra
uma vértebra
o grande corpo vivo, de
um mistério passado.

tá complicado o dizer? concordo!
simplifico:

vértebreava-me em pedra
num mistério passado
fazia nascer
o grande corpo vivo , de
Sonho.

…indistrinçável…
desisto…

2007-11-09

Foi nem Deus nem Diabo



Noite inclinada, o murmúrio
grita alto,
quase um veneno,
falésia que segura o Oceano,
tua mão guia-me ao fim,
fecundo movimento.
Foi nem Deus nem Diabo.
Resvalámos tempos desconexos,
conexamos tripla via.

Tintilar íntimo: teu apêndice
Febre minha: membranosa dilatante
Láctea: espuma.

Qualquer um será o sentido.

Mergulho na liberdade…
Indestinado destino…

derramamos
Oceanos.

2007-11-07

RASGOS DE VIDA


O vento das profundas correntes vindo, inauditos tons assobia,
a voz do silêncio perpétuo, a harpa do princípio toca.
Sóbrio, escuto sobre as serenas águas, enquanto
se equacionam a existência de tantas
Incertezas.

Veloz e vulnerável, o cheiro cru da terra, vestida de branco
purpúreo corpo; doutro lado, um canal, cães latem
continuamente uivam os mais
Selvagens.

Um Glamor ?

Noutro lado, a Gata
senta-se à janela a ver
o que não vejo:

Este lado.

2007-11-04

PORQUÊS


Sentei
meu corpo no lapidado
veludo clitoriano
lá fora a chuva
dentro o Sol em nós.

Recostei-me no fofo pélvico…

Meu ouvido
teu ventre,
escuta,
o jeito de
guardiã da vida.

Quero ouvir do embrião o porquê…

Saber dos princípios,
do fonético caos erótico,
do sentimento robótico,
porquê?
o adeus.