Este trabalho é dedicado à querida SENHORA DONA MARIA ALICE-
O meu profundo agradecimento pelo que aprendi conhecendo te.És também a Mãe do KimdaMagna.
Em Angola é muito frequente a utilização de dois ou mais nomes para um rio, consoante os sectores dos seus percursos. O Cambongo/ Ngunza não foge a esta regra e é designado por Cambongo nos sectores médio e superior e Ngunza no seu sector litoral ( talvez por homenagem ao Soba do Ngunza Cabolo, nome que antecedeu o de Sumbe e Novo Redondo ) e perto da sua foz divide a cidade do Sumbe e os bairros É 15 e Chingo e anteriormente desaguava no bairro Frimar. Com ajuda das chuvas, e dada a área de planura tem tendência a tomar vários caudais e está agora entre o bairro das Salinas e as Pescarias da cidade do Sumbe.
O bairro das Salinas é maioritariamente habitada por pescadores dada a sua localização geográfica, (junto ao mar) .
O rio tem uma extensão aproximada de 197 kms desde a nascente até à foz. Se traçássemos uma linha recta entre a sua nascente e a sua foz obteríamos uma distância de cerca de 80 Kms. Este pormenor atesta a grande sinuosidade deste rio. Alguns dos seus afluentes são os rios , Uir, Tangaio, Sanjôa, Candonga-Cuvele, Luambimbe, Xissa e Bimbe.
O Cambongo nasce nos contrafortes da Montanha Marginal, com bacias afluentes em altitudes superiores a 2.000m, por cerca da latitude de 11º 39’ e da longitude de 14º46’, ficando o seu tronco principal encaixado numa fractura entre os maciços de Quimbumba (2 279m) a Norte e de Gonga (2 316m) a Sul, aberta em rochas do complexo gnáissico-migmatítico-granítico, elementos de uma parte do rebordo montanhoso que, ao longo de longitudes em torno de 14º 40’, ainda conta com Chiuale (2 016m) e Uassamba (2 083), ao Sul do rio Cuvo-Queve, Golungo (2 278m), Comongo (2 033m), e Namba (2 147m), este na margem direita da bacia do Cubal-Quicombo.
Desde as suas nascentes em maciços da Montanha Marginal , o rio desce pela escadaria de aplanações até ao mar, ao qual chega por um troço de vale encaixado em rochas sedimentares. Revela nos diversos sectores, não só ele, mas também a maioria dos seus afluentes, traçados impostos por estruturas tectónicas – fracturas e falhas, geralmente em redes ortogonais. Longos troços quase rectilíneos do Cambongo-Negunza são outros testemunhos dessas influências (Cretácico-Quaternário).
Nos calcários próximos da costa o rio Cambongo-Ngunza tem um percurso subterrâneo, por galerias e grutas de grandes dimensões, resurgindo pouco antes da pequena planície terminal. O facto está bem evidenciado nos dois ramos que formam um ângulo recto no local das Furnas (latitude e longitude de cerca de 11º 16’ e 13º 54’, respectivamente), encaixados na faixa de calcários gresosos e conquíferos, dolomias gresosas, arenitos e conglomerados do Albiano médio a superior. Aí o rio, logo a seguir ao tramo de E-W, tem uma imergência, com queda espectacular, passando a ter, no tramo S-N , um percurso subterrâneo de cerca de 600m, com enorme gruta e suas partes anexas, ornadas com estalactites e estalagmites. Não longe do seu vale são observáveis dolinas de vários tamanhos e superfícies lapiezadas. As condições climáticas revelam semi-aridez: a precipitação anual é inferior a 700mm, a evaporação é elevada, a cobertura vegetal é a de um mosaico de savanas, estepes e balcedos xerofíticos, com árvores dispersas ou sem elas.(1)

Fig.1- O rio Cambongo no Açude e antes de iniciar o percurso final.
Fig.2-Início do percurso a partir do Açude
Fig.3- Património a perder se. Peças da antiga central hidroeléctrica abandonadas e em degradação.
No Açude onde o rio sai do seu emparedamento e onde outrora existiu uma pequena central hidroeléctrica estende se serpenteando pela planície até à foz numa distância de cerca de 3 000 a 4 000 metros passando pela Fazenda Boa Aventurança que se dedica à produção intensiva de bananas.
Fig.4- Ao fundo a Fazenda Boa Aventurança pertença do Grupo Mundo Verde.
Outrora esta mesma fazenda produzia óleo de dendém baseada no extenso palmal que a circundava extendendo se até ao próprio açude e a cidade do Sumbe. Para além da produção de banana estão a ser produzidos o doce de banana e banana seca dirigida ao mercado interno.
Dentro da cidade e junto á ponte que liga o Chingo à cidade do Sumbe subsiste o costume da lavagem de roupa assim como a secagem de farinha para fabrico da fuba e extração de areia para construção civil.
Fig.5- Cidade do Sumbe. Lavadeiras no rio Cambongo/Ngunza
Entre a cidade do Sumbe e a foz do rio distam cerca de 800 metros onde se podem ver mais lavadeiras e pessoas a banharem se e na margem norte e junto à foz depósitos de lixo e na extensão até às Salinas alguns habitats de aves e um braço do rio que corre paralelo ao mar.
Fig.6- Margem do lado Norte. Vista ao fundo da cidade do Sumbe.
Fig.7- A foz do Cambongo/Ngunza.Foto obtida da margem Norte.
Fig.8- Braço do rio até ao Bairro das Salinas.
Nota: As fotografias expostas neste trabalho são de 2011 e foram obtidas com uma máquina digital Fujifilme SR Auto de 10.2 Mega Pixels.
(1)FINISTERRA XLI, 82, 2006, pp. 15-48-ILÍDIO DO AMARAL