2015-07-28

NOVO BIG BANG



Os horrores fétidos que chocalham minhas entranhas
tsunamis incontroláveis arrasam as esperanças
nos altos e baixos lugares das existências
avivam as trevas…
Descarado apresenta-se já um mórbido arauto
anunciando róseos desfechos
prometendo desígnios improváveis

num escárneo sorriso
a bola mundo girando em desvarios
membros estropiados pelo glúteo poder.

Toma lá mais uma guloseima, alicia a voz hedionda
em explosão de mentira a órbita civilizacional
cacos de vidro pontiagudos rasgam nossas carnes
o sangue mingua de tanto escorrer
as máscaras grudadas nas fácies
nem uma só lágrima se vê

As mães dobram seus colos, numa efémera protecção
fêmea sapiens impotente perante
a hemorragia bio cultural, lacrada com carimbo de carbono.

encontrasse  um sério aviso
para propalar aos ventos um atómico alerta
radioactivando os neurónios psicopáticos
quiçá decepar-lhes a verve angustiante
das verdades mentirosas

uma nova arca de Noé
uma renovação Caim e Abel
um novo imaculado Big Bang a chegar…



talvez…

2014-01-20

MAJESTOSO PALÁCO


 
Em tempos um belo e majestoso palácio

palácio de injustiça, agora

selvática vegetação o envolve

por entre as ruínas, ossadas descarnadas

no quase telhado, bandeiras esfarrapadas.


Suaves brisas resvalam

ao longo dos pálidos muros

cintilando, cintilando sem cessar.

 
Ali estava ele, monarca do pensamento

com vozes de insuperável beleza

coisas malvadas, em vestes de luto

afluem as argúcias e sabedorias do rei

do antigo tempo sepultura.


Os viajantes deste vale

num desordenado cogitar

ao som de vozes discordantes

as ideias assumem carácter ousado

riem, já sem sorrir.


O rei está nu.

2014-01-14

AH...ESCREVO



 

Ah escrevo…

Uivando ao luar, escrevo, nas folhas do Imbondeiro

esventrando do ser, de caneta no bolso

os pontos paralelos, gruta para dentro

desmundo… fico vivendo no meu sopro

vida mais total, a chuva que incha.


 Vejo-me

uma lágrima rolando, nas folhas que escrevo

a faca não corta o fogo, ela é o fogo

nuvens de sedução, vagueio na imaginação

a voz nos búzios

o erro do erro.

Com que vozes somos procurados?

Com que ritmos de dor olhamos?


Um choque de um astro

reporia o manto, o escudo

as missangas mais coloridas

os corações e batuques em uníssimo

no cabelo o pente, reabre chagas

de realeza animal, terra vermelha a escaldar

terra linda, em cadência saudosa.


As crianças espantam-se

com a lua caída, no meio do tempo

movimento de pureza sem som…

Momentos que sonhamos…


As crianças criam os espaços

Onde nascem as árvores.

2013-12-08

AURORA POBRE



 

 
Elegância bárbara, brilha nas cicatrizes
 entre os meteoros, amargo, amargo, o mel
 negro da obra morras
 uma paisagem regressa ao ventre
 parto prematuro, minuto obscuro
memória perdida, um choro real
 meu frágil instante
ouve-se…
Princípio de esplendor da maçã
 castigadora ,castigada
suprema desobediência, a lua inteira
 metade halo branco
completa-a  comprida escuridão
 o pensamento perdido entalado
entre chips e razões efémeras
 uma nuvem toda negra
cobre a terra
 a morte sobe pelos dedos, gatilho apertado.
A chama irrompe
 incendeia o Deus esmagado
há brandura de sal, nos ditos
 espadas de prata, a mover águas
…arrepio…
Recolho-me ao silêncio criador
 solidão universal
o adjectivo da coisa, embrulha…desvela…
confusão dilatada
a constelação do Mundo, um buraco
 arquitectura de ar e ilusão
 o todo fica  morrendo no teu corpo
 funda fêmea
femêa invisível
 fiz-me  abertura, nas superfícies  centrífugas
busquei o escuro atrás das coisas
a sombra da minha face? a loucura e o mar
Aurora pobre, tingida de violência doméstica?
Pai e filho choram à vez
 sorrio um fio
 subtraí, Deus de Deus
 reduzi a humidade
 enchi os espaços de melodia
em estados de graça
 supliquei, suplico
pureza do mundo.
calmo e terno.

2013-11-28

PATRIMÓNIO MUNDIAL






A propósito de toda a problemática que envolve o petróleo ( hoje em dia a maior fonte de energia utilizada pelo ser humano) e porque vivemos uma era do que é e não é, é verdade, não é verdade, vulgo o leite faz bem, não faz, o câncer não tem cura, o câncer tem cura, a vida começou no crescente fértil, que não, começou no Olduvai, em que a Democracia cambia qual camaleão, em que o Belo é o horrível, com aprioridades, conceitos fenomenológicos, determinismos e afins, a alma existe, não existe, julgo assistir-me o direito de tecer considerações e apontar as causas que determinam hoje em dia a frequência cada vez mais devastadora dos fenómenos naturais, tais como terramotos, ciclones, tsunamis, embora também esteja certo de que não é a única causa. Pelo menos considero-a como um dos factores mais relevante, o qual será a limpeza que estamos a fazer das estruturas internas do planeta terra, interferindo num esquema de realização do qual nós não temos o mínimo conhecimento no que concerne à sua elaboração nem a interação de todos os elementos que  o compõem.
Penso assim que convém  e para uma melhor compreensão do que pretendo apontar, transcrever alguns dados relacionados com a tectonia:
 
“No século XX, novas teorias tectónicas revolucionaram as concepções tradicionais sobre os movimentos da crosta terrestre. Apresentada em 1912, a teoria da deriva continental cedeu terreno ao longo do século à teoria da tectónica de placas”.
 
Tectonica de placas
O geólogo americano Harry Hammond Hess expôs, em 1960, uma teoria da renovação constante dos soalhos oceânicos, baseada em fundamentos essencialmente geológicos, que justificaria o afastamento dos continentes. As ideias de Hess partiam da existência de muito poucas rochas com mais de cem milhões de anos no fundo dos oceanos, o que o levou a acreditar que os sedimentos mais antigos foram empurrados para baixo.
A superfície do planeta não é uma placa imóvel, como se supunha no passado. Hoje acredita-se que a camada superficial da Terra, a litosfera, com 50 a 150 Km de espessura, seja formada por um conjunto de cerca de vinte placas. A litosfera desliza sobre uma camada de rocha mais plástica, parcialmente derretida, conhecida como astenosfera.
Impulsionadas por forças ainda não inteiramente conhecidas, as placas movem-se na superfície da Terra e interagem umas com as outras. Um dos mais importantes princípios da teoria da tectónica de placas é que cada placa se move como uma unidade distinta em relação às outras.
Geologia
O petróleo está associado a grandes estruturas que comunicam a crosta e o manto da Terra, sobretudo nos limites entre placas tectónicas. O petróleo e gás natural são encontrados tanto em terra quanto no mar, principalmente nas bacias sedimentares ( onde se encontram meios mais porosos – reservatórios ), mas também em rochas do embasamento cristalino. Os hidrocarbonetos, portanto, ocupam espaços porosos nas rochas, sejam eles grãos ou fracturas. São efectuados estudos das potencialidades das estruturas acumuladoras ( armadilhas ou trapas ), principalmente através de sísmica que é o principal método geofísico para pesquisa dos hidrocarbonetos.
Durante a perfuração de um poço, as rochas atravessadas são descritas, pesquisando-se a ocorrência de indícios de hidrocarbonetos. Logo após a perfuração são investigadas as propriedades radiotivas, eléctricas, magnéticas e elásticas das rochas da parede do poço através de ferramentas especiais ( perfilagem ) as quais permitem ler as propriedades fisícas das rochas, identificar e avaliar a ocorrência de hidrocarbonetos.
Se repararmos, os pontos de maior extração de petróleo, coincidentemente ou não, são onde ocorre maior actividade sísmica ou nas suas pereferias imediatas. Angola está dentro da placa africana e sabemos da existência pelo menos no Kuanza Sul de águas quentes que brotam do seio da terra e ainda há poucos dias registou-se actividade sísmica no Município do Kassongue.
Angola extrai cerca 2.000 barris/dia e se fizermos as contas e para um período de 20 anos, dará a soma de 2.306.800.000.000 lts. se considerarmos que um barril são cerca de 158 lts. Consegue-se assim imaginar a considerável massa extraída.
Aqui entra então o meu parecer pergunta: quem de entre todos os cientistas e técnicos ligados à área do petróleo me pode garantir que o vazamento das bacias sedimentares e não só, onde se aloja o petróleo não pode acelerar, provocando deslizamentos mais fortes e maiores,  provocando fracturas/fendas mais compridas e profundas, originando resultados verdadeiramente catastróficos? Julgo que na falta daqueles “amortecedores” que são as citadas bacias sedimentares, a frição tenderá a aumentar os impactos.
Para e como finalização do assunto, convém não esquecer que a humanidade viveu AS CERTEZAS ABSOLUTAS GEOCÊNTRICAS e que depois levamos aquela grande bofetada do heliocentrismo por volta do século XVI.
 

2012-09-05

METASADOPOEMA




Gosto do desgosto da tua partida, em vida


Promessas que era para sempre, crente

No óvulo da desmesurada paixão, razão

Do ciúme da morte, desnorte

Por não te ter à mão, visão

Caminho cósmico percorrido, dorido

Num dia nefasto, afasto

As ideias arquétipo, repito

O desgosto

Posto na mão.

2012-05-08

IRONIA


Num reverso simulado
Cada escada dá um lado
Botão sem casa
Dissimula  orfandade
Mais a dor do dente cariado

Soletro um chá calmante
Sorvo as promessas gota a gota
Carapau sem espinhas
Deitado em grelha inox
Em factor de brasa quase cinzas

É , o poeta brinca
Com coisas sérias
Nunca se arrepende
Mesmo que sério
Ri de si e de alguns
 
Sabes que o verso
É o braço armado do poeta
Que a palavra é lágrima
Derramando no papel
Um livro de mil páginas

Sabes que existem
Leis não escritas
Nos confins da diáspora da alma
Onde o tumus realiza
Actos irascíveis
 
Sabes que a ironia
É carne viva da poesia
Posta em papel acetinado
Rasga as vísceras
fere e dói a vista

2012-02-07

INGUINHA



Explodindo nas entranhas do desejo visceral

Cada vez mais profundamente  alcançando o teu prazer

Os dedos queimam a pele sobrevivente dos desaires e paixões

Incontroláveis lábios, sugam o pecado da fruta proibida

Oferecida no requinte da pérfida volúpia predadora,,, pecadora

A vulva incandescente ardia me todo e o fogo

Propagava meu delírio da carne se abrindo

No cosmos policromado dos teus olhos arregalados

Surpreendida pela avalanche de sentimentos

Suspiravas infinitos  as contrações em desmaio

Ebulição nos tomando conta dos interiores

Empolgando o instante a eternidade

Uma frescura indecisa existe no meu sangue

Despejamos no caos longamente

Obra prima esculpida nos clímaxes.

2012-01-14

FUTURO HORROR


Está um dia tedioso, escuro, as nuvens opressivamente baixas, empurram para uma insuportável soturnidade.

O que seria – parei para pensar – o que seria ?

Uma diferente disposição dos elementos levar-me-ia a sair deste véu?

Será, talvez o cansaço interior dos quotidianos das fomes e doenças, com a morte sempre à espreita. Talvez da pedra social mal assente e inacabada...

Se pudesse ter um ópio que criasse uma estrutura isolante dos neurónios e onde olhasse, visse róseo o nausear do coração, pudesse mesmo até nocautear estes olhos que teimam em ver, aniquilando a capacidade de provocar esta impressão.

Olhos deslustrados de nódoas negras nos rostos, caos global num electrizante galope, são as forças motoras desta vivacidade barulhenta e desordenada no desespero dos dias sem luz. Existem então os anjos maus? Os purgatórios para cá dos céus?

Uma falácia comportalmente civilizada diluída no sonho desilusão de um prosac tomado no amanhecer do progresso, pesadelo de uma queda no precipício infindável sem despertar.

Um futuro de horrores...

2011-12-24

INGA


O meu sonho Miúda é Passar a mão No teu pêlo A ver se desperto
 A fera em ti.
Deixa as tuas garras Entrar Profundamente Na minha carne. Ferra os teus alvos e caninos dentes No meu centro existencial

E com os teus carnudos  lábios
Cicatriza me as feridas.

Pousa o teu olhar de fera Em mim e apaga
As dúvidas e incertezas que teimam em me acompanhar.

2011-10-04

POLITEMPORAL


Nesta desordem termodinâmica

fulgurações de relâmpagos

provocaste.



Fenómeno espantoso

a criar a pequena flor

nos fogos do inferno

mostrava me o teu ser

concebido

olhos sem dor

ser o verde e a luz

que te envolve

o vento a varrer tudo

dos muros

 nosso espaço...

o amor a escorrer melancolia

nosso silêncio repercutindo

nas paredes internas dos

corpos...


Olhar de perto

nossos interiores.

2011-09-22

PANO ENTRE COXAS


Começámos a dormir juntos
para temperar as vontades
que o pano dela não pode
sair de entre as coxas
sonhos do futuro
 erro muito pequeno.
Sentei na rocha azul
era como um céu invertido
a angústia subia das coxas
 a morrer na zona do umbigo
automaticamente
ilibada
esperei.
FOI DOLOROSA A ESPERA
o calor apertava
o corpo nu aberto
para nos recebermos
a esteira era fogueira
debaixo de mim
SEM FIM.

2011-07-15

DESLIZAR TREPIDANTE

Vento!?

Invento um catavento

Sou Adão solidão nulo cabrão

A espinha que desalinha quase definha

O que quero do Bolero desespero.



Celibato um pacto… vem desacato

Relacional aparato

Cama cacto.



Ser chato e concordante

Com o bordo do nosso simulacro

Conjurando um faz de conta

Abstracto… absorto… meio torto.



Escada enrolante… pés de vidro

Fumegas um odor enleante

Certa fase errante trouxe

Áspera língua arranhando

O concavo e o convexo

Do deslizar

Trepidante.



2011-06-23

BURACO DO OZONO


sou cada um de vocês
cada qual mesmo
todos esses outros perdidos
suas alucinações jorram felicidades
a morte, enfim, salvou-os
da mais fatal ilusão e vaidade do mundo
o prazer
a volúpia
são incontáveis as vítimas
eu mesmo
desta mentira, que tira, spots publicitários
cartolas, em areias movediças
oportunismos das hierarquias
cumes das demagogias
talvezes, sins e nãos
buraco do ozono
sempre
cadaqual
cadavez.

2011-06-03

O Verme "Gasosa"



Rasgar-te-ei os glúteos patéticos à chibatada, a fazer correr sangue!


Que corra à farta como as diarreias das crianças.


Farei um voo começo do alto do Imbondeiro


chocalhando o pais encornado e burlado


pela putrefacta usura instrumentalizadora


uma chulice profissional nos sem instrução.


Desprezíveis actores do logro quotidiano


o verme “gasosa”, desastrado elefante político


que se nos insinuou


lavra já nas poeiras dos recônditos e paupérrimos bairros


a intermitente luz eléctrica, a água veneno a matar lentamente


um desespero desesperantemente desesperante.

2011-05-14

???????????????????


Como pilar, sustentara-me

entre o vazio dos escombros,

testemunhando,

estoicamente,

a chegada de hordas famintas,

bem falantes;

De baleantes ferros em suas mãos,

com a flor entre dentes,

sorrisos carnívoros.

Aos suspiros do pássaro

em mim pousado,

ensaio o conhecimento de tais lamentos.

A resposta triste e repentina,

induvida meus olhares.

Mesmo as nuvens

chumbeadas de cor,

estrodeavam descontentamentos

sobre os hominúsculos seres,

coitados ,

julgando-se os eleitos.

Mas eis, agora submergidos

pelo fluvial dilúvio,

tentando o infrutífero desvio

de seus remorsos,

arrastados são no turbillhão aquático,

para os fundos de seus vazios.

Decretado e promulgado

assim me dissera o pássaro pousado em mim.

2011-04-30

DISCÓRDIAS

Erland-Mork .. House of discord



Vi o brilho rotundo, pálida e esquálida fronte


rodízios cadenciados burilam meus pensamentos


negra noite, toda ela iluminada, archotes queimam já as pontas


dedos e extremos de nós em chamas, carbonizados ficaram


os anseios ao ver te em labaredas, os andaimes


colocados, o não poder viver, empurra para a morte.


As curiosidades burlescas, são verdades científicas


absurdas e “mais ou menos”, o alcoolismo


versão etílica do suicídio, como direito à angústia


doloroso equívoco… alma do escuro… facto consumado.


Para onde a paixão me empurra, ficarei, tal qual sou


de me reconhecer, incansável serei.

2011-04-25

PUFF!!!



Uma bolinha pequenina, infinitesimal parte do ser


rolou, de tanto rolar, coagulou, à superfície, só.


No caminho encontrara calhau pontiagudo


por isso a ferida, na face mais lisa, virada para o céu.


Houvera uma encantada princesa


ao afagar a parte escondida da bolinha.


Puff!!! Ouviu se um príncipe a surgir


garboso no porte, num cavalo de pedra sentado


tinha na mão um cinzel, escultor, para esculpir nela


os adornos e jeitos das festas.

2011-04-14

RIO CAMBONGO /NGUNZA



Este trabalho é dedicado à querida SENHORA DONA MARIA ALICE-
O meu profundo agradecimento pelo que aprendi conhecendo te.És também a Mãe do KimdaMagna.



Em Angola é muito frequente a utilização de dois ou mais nomes para um rio, consoante os sectores dos seus percursos. O Cambongo/ Ngunza não foge a esta regra e é designado por Cambongo nos sectores médio e superior e Ngunza no seu sector litoral ( talvez por homenagem ao Soba do Ngunza Cabolo, nome que antecedeu o de Sumbe e Novo Redondo ) e perto da sua foz divide a cidade do Sumbe e os bairros É 15 e Chingo e anteriormente desaguava no bairro Frimar. Com ajuda das chuvas, e dada a área de planura tem tendência a tomar vários caudais e está agora entre o bairro das Salinas e as Pescarias da cidade do Sumbe.

O bairro das Salinas é maioritariamente habitada por pescadores dada a sua localização geográfica, (junto ao mar) .

O rio tem uma extensão aproximada de 197 kms desde a nascente até à foz. Se traçássemos uma linha recta entre a sua nascente e a sua foz obteríamos uma distância de cerca de 80 Kms. Este pormenor atesta a grande sinuosidade deste rio. Alguns dos seus afluentes são os rios , Uir, Tangaio, Sanjôa, Candonga-Cuvele, Luambimbe, Xissa e Bimbe.

O Cambongo nasce nos contrafortes da Montanha Marginal, com bacias afluentes em altitudes superiores a 2.000m, por cerca da latitude de 11º 39’ e da longitude de 14º46’, ficando o seu tronco principal encaixado numa fractura entre os maciços de Quimbumba (2 279m) a Norte e de Gonga (2 316m) a Sul, aberta em rochas do complexo gnáissico-migmatítico-granítico, elementos de uma parte do rebordo montanhoso que, ao longo de longitudes em torno de 14º 40’, ainda conta com Chiuale (2 016m) e Uassamba (2 083), ao Sul do rio Cuvo-Queve, Golungo (2 278m), Comongo (2 033m), e Namba (2 147m), este na margem direita da bacia do Cubal-Quicombo.



Desde as suas nascentes em maciços da Montanha Marginal , o rio desce pela escadaria de aplanações até ao mar, ao qual chega por um troço de vale encaixado em rochas sedimentares. Revela nos diversos sectores, não só ele, mas também a maioria dos seus afluentes, traçados impostos por estruturas tectónicas – fracturas e falhas, geralmente em redes ortogonais. Longos troços quase rectilíneos do Cambongo-Negunza são outros testemunhos dessas influências (Cretácico-Quaternário).

Nos calcários próximos da costa o rio Cambongo-Ngunza tem um percurso subterrâneo, por galerias e grutas de grandes dimensões, resurgindo pouco antes da pequena planície terminal. O facto está bem evidenciado nos dois ramos que formam um ângulo recto no local das Furnas (latitude e longitude de cerca de 11º 16’ e 13º 54’, respectivamente), encaixados na faixa de calcários gresosos e conquíferos, dolomias gresosas, arenitos e conglomerados do Albiano médio a superior. Aí o rio, logo a seguir ao tramo de E-W, tem uma imergência, com queda espectacular, passando a ter, no tramo S-N , um percurso subterrâneo de cerca de 600m, com enorme gruta e suas partes anexas, ornadas com estalactites e estalagmites. Não longe do seu vale são observáveis dolinas de vários tamanhos e superfícies lapiezadas. As condições climáticas revelam semi-aridez: a precipitação anual é inferior a 700mm, a evaporação é elevada, a cobertura vegetal é a de um mosaico de savanas, estepes e balcedos xerofíticos, com árvores dispersas ou sem elas.(1)


Fig.1- O rio Cambongo no Açude e antes de iniciar o percurso final.
Fig.2-Início do percurso a partir do Açude

Fig.3- Património a perder se. Peças da antiga central hidroeléctrica abandonadas e em degradação.

No Açude onde o rio sai do seu emparedamento e onde outrora existiu uma pequena central hidroeléctrica estende se serpenteando pela planície até à foz numa distância de cerca de 3 000 a 4 000 metros passando pela Fazenda Boa Aventurança que se dedica à produção intensiva de bananas.


Fig.4- Ao fundo a Fazenda Boa Aventurança pertença do Grupo Mundo Verde.

Outrora esta mesma fazenda produzia óleo de dendém baseada no extenso palmal que a circundava extendendo se até ao próprio açude e a cidade do Sumbe. Para além da produção de banana estão a ser produzidos o doce de banana e banana seca dirigida ao mercado interno.

Dentro da cidade e junto á ponte que liga o Chingo à cidade do Sumbe subsiste o costume da lavagem de roupa assim como a secagem de farinha para fabrico da fuba e extração de areia para construção civil.


 

Fig.5- Cidade do Sumbe. Lavadeiras no rio Cambongo/Ngunza

Entre a cidade do Sumbe e a foz do rio distam cerca de 800 metros onde se podem ver mais lavadeiras e pessoas a banharem se e na margem norte e junto à foz depósitos de lixo e na extensão até às Salinas alguns habitats de aves e um braço do rio que corre paralelo ao mar.

Fig.6- Margem do lado Norte. Vista ao fundo da cidade do Sumbe.

Fig.7- A foz do Cambongo/Ngunza.Foto obtida da margem Norte.


Fig.8- Braço do rio até ao Bairro das Salinas.



Nota: As fotografias expostas neste trabalho são de 2011 e foram obtidas com uma máquina digital Fujifilme SR Auto de 10.2 Mega Pixels.

(1)FINISTERRA XLI, 82, 2006, pp. 15-48-ILÍDIO DO AMARAL





2011-04-05

O FUTURO RECORDADO


Quando vos olho os corpos…o futuro, vejo lo nos olhos vossos…



…as roupas , cabelos, caras, cegam me, só me recordam o passado… o vosso sorriso em alvura resplandece me, mitiga me a dor…