2012-05-08

IRONIA


Num reverso simulado
Cada escada dá um lado
Botão sem casa
Dissimula  orfandade
Mais a dor do dente cariado

Soletro um chá calmante
Sorvo as promessas gota a gota
Carapau sem espinhas
Deitado em grelha inox
Em factor de brasa quase cinzas

É , o poeta brinca
Com coisas sérias
Nunca se arrepende
Mesmo que sério
Ri de si e de alguns
 
Sabes que o verso
É o braço armado do poeta
Que a palavra é lágrima
Derramando no papel
Um livro de mil páginas

Sabes que existem
Leis não escritas
Nos confins da diáspora da alma
Onde o tumus realiza
Actos irascíveis
 
Sabes que a ironia
É carne viva da poesia
Posta em papel acetinado
Rasga as vísceras
fere e dói a vista

2012-02-07

INGUINHA



Explodindo nas entranhas do desejo visceral

Cada vez mais profundamente  alcançando o teu prazer

Os dedos queimam a pele sobrevivente dos desaires e paixões

Incontroláveis lábios, sugam o pecado da fruta proibida

Oferecida no requinte da pérfida volúpia predadora,,, pecadora

A vulva incandescente ardia me todo e o fogo

Propagava meu delírio da carne se abrindo

No cosmos policromado dos teus olhos arregalados

Surpreendida pela avalanche de sentimentos

Suspiravas infinitos  as contrações em desmaio

Ebulição nos tomando conta dos interiores

Empolgando o instante a eternidade

Uma frescura indecisa existe no meu sangue

Despejamos no caos longamente

Obra prima esculpida nos clímaxes.

2012-01-14

FUTURO HORROR


Está um dia tedioso, escuro, as nuvens opressivamente baixas, empurram para uma insuportável soturnidade.

O que seria – parei para pensar – o que seria ?

Uma diferente disposição dos elementos levar-me-ia a sair deste véu?

Será, talvez o cansaço interior dos quotidianos das fomes e doenças, com a morte sempre à espreita. Talvez da pedra social mal assente e inacabada...

Se pudesse ter um ópio que criasse uma estrutura isolante dos neurónios e onde olhasse, visse róseo o nausear do coração, pudesse mesmo até nocautear estes olhos que teimam em ver, aniquilando a capacidade de provocar esta impressão.

Olhos deslustrados de nódoas negras nos rostos, caos global num electrizante galope, são as forças motoras desta vivacidade barulhenta e desordenada no desespero dos dias sem luz. Existem então os anjos maus? Os purgatórios para cá dos céus?

Uma falácia comportalmente civilizada diluída no sonho desilusão de um prosac tomado no amanhecer do progresso, pesadelo de uma queda no precipício infindável sem despertar.

Um futuro de horrores...

2011-12-24

INGA


O meu sonho Miúda é Passar a mão No teu pêlo A ver se desperto
 A fera em ti.
Deixa as tuas garras Entrar Profundamente Na minha carne. Ferra os teus alvos e caninos dentes No meu centro existencial

E com os teus carnudos  lábios
Cicatriza me as feridas.

Pousa o teu olhar de fera Em mim e apaga
As dúvidas e incertezas que teimam em me acompanhar.

2011-10-04

POLITEMPORAL


Nesta desordem termodinâmica

fulgurações de relâmpagos

provocaste.



Fenómeno espantoso

a criar a pequena flor

nos fogos do inferno

mostrava me o teu ser

concebido

olhos sem dor

ser o verde e a luz

que te envolve

o vento a varrer tudo

dos muros

 nosso espaço...

o amor a escorrer melancolia

nosso silêncio repercutindo

nas paredes internas dos

corpos...


Olhar de perto

nossos interiores.

2011-09-22

PANO ENTRE COXAS


Começámos a dormir juntos
para temperar as vontades
que o pano dela não pode
sair de entre as coxas
sonhos do futuro
 erro muito pequeno.
Sentei na rocha azul
era como um céu invertido
a angústia subia das coxas
 a morrer na zona do umbigo
automaticamente
ilibada
esperei.
FOI DOLOROSA A ESPERA
o calor apertava
o corpo nu aberto
para nos recebermos
a esteira era fogueira
debaixo de mim
SEM FIM.

2011-07-15

DESLIZAR TREPIDANTE

Vento!?

Invento um catavento

Sou Adão solidão nulo cabrão

A espinha que desalinha quase definha

O que quero do Bolero desespero.



Celibato um pacto… vem desacato

Relacional aparato

Cama cacto.



Ser chato e concordante

Com o bordo do nosso simulacro

Conjurando um faz de conta

Abstracto… absorto… meio torto.



Escada enrolante… pés de vidro

Fumegas um odor enleante

Certa fase errante trouxe

Áspera língua arranhando

O concavo e o convexo

Do deslizar

Trepidante.



2011-06-23

BURACO DO OZONO


sou cada um de vocês
cada qual mesmo
todos esses outros perdidos
suas alucinações jorram felicidades
a morte, enfim, salvou-os
da mais fatal ilusão e vaidade do mundo
o prazer
a volúpia
são incontáveis as vítimas
eu mesmo
desta mentira, que tira, spots publicitários
cartolas, em areias movediças
oportunismos das hierarquias
cumes das demagogias
talvezes, sins e nãos
buraco do ozono
sempre
cadaqual
cadavez.

2011-06-03

O Verme "Gasosa"



Rasgar-te-ei os glúteos patéticos à chibatada, a fazer correr sangue!


Que corra à farta como as diarreias das crianças.


Farei um voo começo do alto do Imbondeiro


chocalhando o pais encornado e burlado


pela putrefacta usura instrumentalizadora


uma chulice profissional nos sem instrução.


Desprezíveis actores do logro quotidiano


o verme “gasosa”, desastrado elefante político


que se nos insinuou


lavra já nas poeiras dos recônditos e paupérrimos bairros


a intermitente luz eléctrica, a água veneno a matar lentamente


um desespero desesperantemente desesperante.

2011-05-14

???????????????????


Como pilar, sustentara-me

entre o vazio dos escombros,

testemunhando,

estoicamente,

a chegada de hordas famintas,

bem falantes;

De baleantes ferros em suas mãos,

com a flor entre dentes,

sorrisos carnívoros.

Aos suspiros do pássaro

em mim pousado,

ensaio o conhecimento de tais lamentos.

A resposta triste e repentina,

induvida meus olhares.

Mesmo as nuvens

chumbeadas de cor,

estrodeavam descontentamentos

sobre os hominúsculos seres,

coitados ,

julgando-se os eleitos.

Mas eis, agora submergidos

pelo fluvial dilúvio,

tentando o infrutífero desvio

de seus remorsos,

arrastados são no turbillhão aquático,

para os fundos de seus vazios.

Decretado e promulgado

assim me dissera o pássaro pousado em mim.

2011-04-30

DISCÓRDIAS

Erland-Mork .. House of discord



Vi o brilho rotundo, pálida e esquálida fronte


rodízios cadenciados burilam meus pensamentos


negra noite, toda ela iluminada, archotes queimam já as pontas


dedos e extremos de nós em chamas, carbonizados ficaram


os anseios ao ver te em labaredas, os andaimes


colocados, o não poder viver, empurra para a morte.


As curiosidades burlescas, são verdades científicas


absurdas e “mais ou menos”, o alcoolismo


versão etílica do suicídio, como direito à angústia


doloroso equívoco… alma do escuro… facto consumado.


Para onde a paixão me empurra, ficarei, tal qual sou


de me reconhecer, incansável serei.

2011-04-25

PUFF!!!



Uma bolinha pequenina, infinitesimal parte do ser


rolou, de tanto rolar, coagulou, à superfície, só.


No caminho encontrara calhau pontiagudo


por isso a ferida, na face mais lisa, virada para o céu.


Houvera uma encantada princesa


ao afagar a parte escondida da bolinha.


Puff!!! Ouviu se um príncipe a surgir


garboso no porte, num cavalo de pedra sentado


tinha na mão um cinzel, escultor, para esculpir nela


os adornos e jeitos das festas.

2011-04-14

RIO CAMBONGO /NGUNZA



Este trabalho é dedicado à querida SENHORA DONA MARIA ALICE-
O meu profundo agradecimento pelo que aprendi conhecendo te.És também a Mãe do KimdaMagna.



Em Angola é muito frequente a utilização de dois ou mais nomes para um rio, consoante os sectores dos seus percursos. O Cambongo/ Ngunza não foge a esta regra e é designado por Cambongo nos sectores médio e superior e Ngunza no seu sector litoral ( talvez por homenagem ao Soba do Ngunza Cabolo, nome que antecedeu o de Sumbe e Novo Redondo ) e perto da sua foz divide a cidade do Sumbe e os bairros É 15 e Chingo e anteriormente desaguava no bairro Frimar. Com ajuda das chuvas, e dada a área de planura tem tendência a tomar vários caudais e está agora entre o bairro das Salinas e as Pescarias da cidade do Sumbe.

O bairro das Salinas é maioritariamente habitada por pescadores dada a sua localização geográfica, (junto ao mar) .

O rio tem uma extensão aproximada de 197 kms desde a nascente até à foz. Se traçássemos uma linha recta entre a sua nascente e a sua foz obteríamos uma distância de cerca de 80 Kms. Este pormenor atesta a grande sinuosidade deste rio. Alguns dos seus afluentes são os rios , Uir, Tangaio, Sanjôa, Candonga-Cuvele, Luambimbe, Xissa e Bimbe.

O Cambongo nasce nos contrafortes da Montanha Marginal, com bacias afluentes em altitudes superiores a 2.000m, por cerca da latitude de 11º 39’ e da longitude de 14º46’, ficando o seu tronco principal encaixado numa fractura entre os maciços de Quimbumba (2 279m) a Norte e de Gonga (2 316m) a Sul, aberta em rochas do complexo gnáissico-migmatítico-granítico, elementos de uma parte do rebordo montanhoso que, ao longo de longitudes em torno de 14º 40’, ainda conta com Chiuale (2 016m) e Uassamba (2 083), ao Sul do rio Cuvo-Queve, Golungo (2 278m), Comongo (2 033m), e Namba (2 147m), este na margem direita da bacia do Cubal-Quicombo.



Desde as suas nascentes em maciços da Montanha Marginal , o rio desce pela escadaria de aplanações até ao mar, ao qual chega por um troço de vale encaixado em rochas sedimentares. Revela nos diversos sectores, não só ele, mas também a maioria dos seus afluentes, traçados impostos por estruturas tectónicas – fracturas e falhas, geralmente em redes ortogonais. Longos troços quase rectilíneos do Cambongo-Negunza são outros testemunhos dessas influências (Cretácico-Quaternário).

Nos calcários próximos da costa o rio Cambongo-Ngunza tem um percurso subterrâneo, por galerias e grutas de grandes dimensões, resurgindo pouco antes da pequena planície terminal. O facto está bem evidenciado nos dois ramos que formam um ângulo recto no local das Furnas (latitude e longitude de cerca de 11º 16’ e 13º 54’, respectivamente), encaixados na faixa de calcários gresosos e conquíferos, dolomias gresosas, arenitos e conglomerados do Albiano médio a superior. Aí o rio, logo a seguir ao tramo de E-W, tem uma imergência, com queda espectacular, passando a ter, no tramo S-N , um percurso subterrâneo de cerca de 600m, com enorme gruta e suas partes anexas, ornadas com estalactites e estalagmites. Não longe do seu vale são observáveis dolinas de vários tamanhos e superfícies lapiezadas. As condições climáticas revelam semi-aridez: a precipitação anual é inferior a 700mm, a evaporação é elevada, a cobertura vegetal é a de um mosaico de savanas, estepes e balcedos xerofíticos, com árvores dispersas ou sem elas.(1)


Fig.1- O rio Cambongo no Açude e antes de iniciar o percurso final.
Fig.2-Início do percurso a partir do Açude

Fig.3- Património a perder se. Peças da antiga central hidroeléctrica abandonadas e em degradação.

No Açude onde o rio sai do seu emparedamento e onde outrora existiu uma pequena central hidroeléctrica estende se serpenteando pela planície até à foz numa distância de cerca de 3 000 a 4 000 metros passando pela Fazenda Boa Aventurança que se dedica à produção intensiva de bananas.


Fig.4- Ao fundo a Fazenda Boa Aventurança pertença do Grupo Mundo Verde.

Outrora esta mesma fazenda produzia óleo de dendém baseada no extenso palmal que a circundava extendendo se até ao próprio açude e a cidade do Sumbe. Para além da produção de banana estão a ser produzidos o doce de banana e banana seca dirigida ao mercado interno.

Dentro da cidade e junto á ponte que liga o Chingo à cidade do Sumbe subsiste o costume da lavagem de roupa assim como a secagem de farinha para fabrico da fuba e extração de areia para construção civil.


 

Fig.5- Cidade do Sumbe. Lavadeiras no rio Cambongo/Ngunza

Entre a cidade do Sumbe e a foz do rio distam cerca de 800 metros onde se podem ver mais lavadeiras e pessoas a banharem se e na margem norte e junto à foz depósitos de lixo e na extensão até às Salinas alguns habitats de aves e um braço do rio que corre paralelo ao mar.

Fig.6- Margem do lado Norte. Vista ao fundo da cidade do Sumbe.

Fig.7- A foz do Cambongo/Ngunza.Foto obtida da margem Norte.


Fig.8- Braço do rio até ao Bairro das Salinas.



Nota: As fotografias expostas neste trabalho são de 2011 e foram obtidas com uma máquina digital Fujifilme SR Auto de 10.2 Mega Pixels.

(1)FINISTERRA XLI, 82, 2006, pp. 15-48-ILÍDIO DO AMARAL





2011-04-05

O FUTURO RECORDADO


Quando vos olho os corpos…o futuro, vejo lo nos olhos vossos…



…as roupas , cabelos, caras, cegam me, só me recordam o passado… o vosso sorriso em alvura resplandece me, mitiga me a dor…

2011-03-31

EU FEITA PÉROLA

OLHARES.COM...depois do amor...

Um simulacro espectacular



foi aquele trejeito

ao me roçares os olhos.

Um pingo só do teu suor

quase me afogava

distraído de não saber

me submergir

quando de repente tua mão

salvadora fez uma concha

lá dentro eu feita pérola.

A profundidade enorme

dilatou meu peito

parecia até que o mar

se escondia dentro de mim.

2011-03-26

NGANA NZAMBI


Quais a estruturas e sistemas identitários de Angola? Que dinâmica apresentam as identidades? Qual o processo de alteridades culturais?

A conjunção da tradição com a “modernidade” é uma inevitabilidade?

Vozes se levantam em demanda dos processos e estratégias sociais com carácter eminente e claramente desviante.

Tentar vestir a Palanca Negra com a pele do Urso Polar num contexto tropical, traria certamente grande sofrimento á Palanca.

É que existem ainda particularidades e especificidades próprias da cultura Angolana. Certamente que a habitação africana ( Kubata ) com as suas paredes de barro ,extraído do meio envolvente, não encaixa nada bem com a cobertura de zinco. É um facto que a cobertura de colmo proporciona uma outra frescura ao habitáculo e não faz a agressão ecológica do zinco.

O esforço globalizante do uso do fato e gravata das zonas temperadas, no contexto tropical, mesmo camuflado pelos condicionamentos de ar, vulgo ar condicionado, não é seguramente uma resposta nascida da essência da habitabilidade Angolana.

Então quando se lançam para o ar os pedidos de deixarem os Angolanos seguirem o seu caminho, extensivo no fundo também á Africanidade, estamos a falar do quê? De quê quê?

Atacar o fundamento vital da própria cultura, ou seja o sistema de representações não foi a arma usada por excelência pelo sistema colonial? Transformar regressão em evolução é uma pura falácia, assim como considerar que só pelo facto de se possuir um telemóvel me transformo num ser evoluído.

2011-03-21

ELEVADO CALOR DE FUSÃO

CALOR DE FUSÃO

Resolvi observar,


apalpar… as extremidades

da molécula dos relacionamentos.



Constatei

ser o mais comum dos ácidos.

Quais os principais tipos de enrolamentos

e arranjos das cadeias que se englobam

nos toques da tua língua?



Sobre meu corpo

nesta configuração estabilizada

graças às nossas forças atractivas.

o teu ponto G

ditou leis na minha dilatação

a esteira gemeu à sombra do Imbondeiro

sob os olhos arregalados do Matrindindi.


Matrindindi - Gênero de inseto ortóptero da família dos acrídeos, de que faz parte o gafanhoto, existe em Angola, na zona do Sumbe.

2011-02-25

AVISOS DO SUICÍDIO


Uma arcaica sociedade de classes, se proclama pós moderna.

Doentirizando o mundo com elevada capacidade de integração, os lucros da indústria farmacêutica atestam no, nas totalitárias e ruidosas roupagens liberais.

Fazem surgir cidadãos domesticados, livremente policiados, essencialmente amputados no asséptizado lodaçal dos risíveis empreendimentos estratégicos.

A verborreia oficial estatiza a descerebralização, enfim a demência tranquila da obediência espantosa.

È impossível não ver como expressão de um mal, as influências morais do suicídio e da revolta, neste asquerosamente provisório sistema, nem a escaldante inquietude em que nos movemos. Consequência do vazio comum ao coração e espírito?

A gritante obscenidade dos “amos” que engendram os lixos atómicos, as bombas de neutrões e a usura levada aos extremos, são eles também os primeiros a falar de irresponsabilidade quando pretendemos o verdadeiro exercício do respeito e liberdade pessoal.

A Chusma à volta das manjedouras do Estado, são os mesmos ( outra vez? ) da chinfrineira ideológica das pseudo revoluções.

Pergunta: se as mulheres e os homens são livres para matar (abortar) porquê então o bruá, quando cada qual decide não viver. Existirá verdadeiramente e na essência, uma diferença entre a execução de um feto ou de um adulto?

O facto insofismável que se verifica é o de que, criminosos, suicidas, bêbados, continuam a ser na actualidade, as manifestações mais importantes do enfraquecimento da nossa raça.

Será conveniente estar atento ao método sociológico que se fundamenta nas estatísticas do suicídio a gerar dados inseguros e teorias inconsistentes.

2011-01-31

BAIRRO LADO AZUL

Joep Hommerson


Olhara e vira na facies branca, como um protesto contra a cor; repetia se esta cena espremendo se pelos anos de minha vida no bairro Lado Azul. Conhecera nela já várias cores de cabelo: usara ruivo fogo, em carrapito, fora loira de risco ao meio, uma vez até misturara castanho com madeixas azuis em corte assimétrico. Imobilizara se porém, nos últimos anos, no negro, cabelo pintado negro azeviche, escorrido e curto. Naquele dia Isma El notara nos olhos dela uma sôfrega vontade de desistência, não das coisas, mas dela própria.

Chamava se Kandida, dizia se dela, ter nascido numa colónia qualquer do nosso Mundo. Vezes sem conta, tentara Isma El abordar Kandida, vezes sem conta chocara com suas armaduras: um bunker herméticamente fechado a chumbo. Diziam ( o povo ), que ela estivera concentrada num campo, desses de refugiados, sózinha exposta aos apetites da facínora que supervisiona as " ajudas internacionais" em carne alheia.

Isma El sabedor destes revezes da vida, esmerava se nas considerações que tecia sobre a irredutível negatividade de Kandida e jogava lhe brilhos nos caminhos que ela pisava com fúria e alheamento. O olhar absorto dela, provocava lhe sempre a ânsia de a proteger e no interior dos seus olhos, lágrimas caiam rolando para dentro. Um homem não deve chorar, pensava ele, outros denegriam na: que ela é que se tinha oferecido por jóias e favores, dados a um amor que lhe surgira, sugador, partindo assim que esgotados os recursos financeiros. Ficara Kandida sózinha, pobre, e desacreditada de tudo e todos a nomeavam de puta.

Eram portanto várias as versões, e nesta indefinição, enigma reforçado no " diz que disse", Isma El não ligou, e agarrou se à ânsia de a proteger e petrificou se em estátua, na praça principal do bairro Lado Azul, no busto o nome Kandida gravado em sangue, nos pétreos lábios uma oferta, uma flor brotava para ser por ela colhida.

2011-01-22

DINAMICAS

 
assim toda vaporosa
uma dinamica tesoada
os gemeos das pernas
convidavam escabrosos
luxuria ANIMA...
Depois...
Inundei profundidades
semen oferecido
espasmos delirium em troca
duas tenazes
as coxas que me cingiam.
Como danca de folha
outonal levantada
em remoinho morno calmo...
o arfar dos peitos
a estalar nos
os sexos.


Ps:A falta de acentos e propositada.